A seca se intensificou na maioria dos estados brasileiros em novembro de 2025, de acordo com os dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O levantamento aponta o agravamento principalmente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, reflexo das chuvas abaixo da média histórica registradas no período.
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| Imagem: ANA. |
No Nordeste, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco - que apresentavam seca grave em outubro de 2025 - houve agravamento do cenário em novembro, com evolução para seca extrema. No Ceará, a situação também piorou, com avanço da seca nas regiões sul, oeste e centro-leste do estado. A única exceção na região foi o oeste da Bahia, onde houve uma melhora nos indicadores, com o recuo da seca extrema.
A região Centro-Oeste apresentou um aumento expressivo da área afetada pela de seca de outubro para novembro. O destaque negativo foi o Mato Grosso, onde a seca avançou por toda a área central do estado e a região do Pantanal, que passou a ser classificado com seca moderada.
No Sudeste, as chuvas abaixo da normalidade agravaram a seca em Minas Gerais, Espirito Santo e Rio de Janeiro. Apenas o sul do estado de São Paulo apresentou melhora nas condições de umidade do solo.
De forma geral, as regiões Sul e Norte registraram redução das áreas afetadas pela seca. No entanto, o cenário não foi homogêneo.
No extremo sul do Rio Grande do Sul, passou a ser registrada seca fraca, enquanto houve ampliação das áreas secas nos estados do Tocantins, Pará, no sul de Rondônia e no nordeste de Roraima.
Situação de seca por estado
Aumento da Seca
- Alagoas
- Ceará
- Espírito Santo
- Goiás
- Maranhão
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Minas Gerais
- Pará
- Paraíba
- Pernambuco
- Piauí
- Rio de Janeiro
- Rio Grande do Norte
- Rio Grande do Sul
- Rondônia
- Roraima
- São Paulo
- Sergipe
- Tocantins
Estabilidade da Seca
- Amapá
- Distrito Federal
- Santa Catarina
Redução da Seca
- Acre
- Amazonas
- Bahia
- Paraná
Agravamento da seca afeta abastecimento em São Paulo
O avanço da seca também trouxe impactos diretos ao abastecimento de água em São Paulo. O último boletim do Sistema Cantareira, responsável pelo fornecimento de água para cerca de metade da Região Metropolitana de São Paulo, aponta que em 31 de dezembro de 2025 o volume útil armazenado era de 20,18%.
No mesmo período de 2024, o índice era significativamente maior, com 50,27%.
Atualmente, o sistema opera na Faixa 4 – Restrição, conforme determina a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017, que estabelece limites de captação de água em cenários de crise hídrica.
Em condições normais, poderiam ser captados 33,0 m³/s. Com a restrição em vigor, esse volume foi reduzido para 23,0 m³/s. A SABESP, responsável pelo abastecimento no estado, pode complementar a operação com uma vazão adicional transposta do reservatório da Usina Hidrelétrica do rio Jaguari.

